sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Alvim

Eu sei que não é muito normal este tipo de textos aqui pelo blogue. Mas o que é certo é que este que li no Bloque do Alvim (que podem encontrar na lista do lado direito) merece sem duvida fazer parte do Chaparro. Aqui fica então um pequeno excerto. Este Alvim é demais!

"Acordar de manhã e olhar-me ao espelho. Ver-me ali, quieto, mudo, de gesto igual a todos os dias. A mesma imagem repetida, o mesmo rosto, a mesma face bucólica, a lâmina fria e afiada apontada a mim ,da minha gilete, em quem já não confio. Eu aqui, ainda eu, a passar as mãos por todo o corpo e a desejar-te neste suado reflexo. Quantas caras estranhas, quantos sorrisos benignos, quanto ânsia em te ter na palma desta mão onde agora escorre a herança de um sonho só meu. O futuro desfaz-se na água e não dentro de ti. O futuro foge-me, corre viscoso, libertino, devasso, por entre o pequeno ventre da minha banheira. Dizem-me que o futuro, este futuro de que te falo, tem sabor a sal, um estranho ácido - dizem, uma especiaria rara que celebra e exalta essa coisa a que a chamamos desejo."

Incluído no primeiro livro de Fernando Alvim " No dia que fugimos tu não estavas em Casa".
Surpreendente, não?

1 comentário:

excape disse...

ESTE ALVIM, TEM COISAS QUE NAO LEMBRAM A NINGUEM, PELO MENOS ALGUEM NORMAL.