quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Um cê a mais

"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio.
Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar.

Manuel Halpern"

Sou completamente contra este acordo ortográfico. Nunca escrevi bem, mas vou passar propositamente a escrever mal, pois nunca mudarei a minha forma de escrever português.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fotografia da Semana

Ainda não é uma foto minha, mas agora que estou de ferias, vou tentar puxar pela inspiração e pelos clicks.


Autor desconhecido.

Presidenciais

Este continua e continuará a ser um espaço sem qualquer intenção politica.
Nunca aqui falarei das minhas opções politicas, e nunca me vão ver criticar ou sequer comentar as opções dos outros.
Há quem considere a abstenção uma opção politica. E talvez esteja certo. As pessoas que não vão votar, conscientemente, como que em protesto contra algo. Isso sim, é uma opção politica e consciente. E essa abstenção eu não critico.
Mas critico a outra, a do desinteresse, a daqueles que dizem não ligar a politica, dos que se queixam de tudo e de todos, mas não fazem absolutamente nada para mudar o mundo que os rodeia. Os que aderem aos grupos de protesto do Facebook, mas que não são capazes de levantar o rabo do sofa num domingo para fazer uma simples cruz.
Não consigo aceitar uma abstenção de 52,47%. Sei que vai haver quem leia este post, que não tenha votado. Uns por opção, outros por desleixo. Mas que ninguem se vai rever no desinteresse, e na parte negativa da abstenção. É dificil aceitar os nossos defeitos.
Não vou comentar a reeleição de Cavaco Silva, mas já repararam como estes 52% que não quiseram saber do futuro de Portugal poderiam ter mudado o rumo do nosso pais? Foram cerca de cinco milhões de Portugueses que se alhearam de exercer um direito, que deveria ser um dever! E esses eu não consigo entender!
Apenas uma palavra para mostrar a minha surpresa para com os resultados da esquerda. Numa altura de crise e de vacas magras, a esquerda sofre uma tremenda derrota. Numa altura em que as politicas sociais poderão ser mais importantes do que nunca, uma vitoria esmagadora da direita politica portuguesa não deixa de me causar alguma estranheza. Ver o candidato do Partido Comunista, ser ultrapassado por movimentos de cidadania, e com pouco mais de dois pontos percentuais sobre o palhaço de serviço é realmente muito estranho!
Vamos ver o que os resultados reais desta votação, e desta abstenção vão provocar no nosso pais. O futuro o dirá...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Descubra as diferenças

Que saudades eu tinha de fazer um "descubra as diferenças". Aqui fica mais um.
E não é que o Millhouse pode vir a ser o proximo presidente daquele clube com camisolas parecidas aos toldos da Figueira da Foz. Sai um cromo entra um tótó.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Alerta

Avisam-se todos os participantes do OPT2010 que ainda não foi marcado o jantar de entrega de premios desta grandiosa competição.
Já se joga a pré-epoca da OPT2011, e devido a não haver ainda vencedor homolgado de 2010, nem novos estatutos para 2011, não se pode iniciar nova epoca.
Acordem para a vida, e deixem nos comentarios as sugestões de datas para o jantar no Barrigas!

Fotografia da Semana

Meio improvisada, e a partir da aula de informatica do curso que estou a tirar. Aqui fica a fotografia desta semana. Mais uma vez, não perdi muito tempo a procurar. Vi gostei e postei. Há muito tempo que não posto uma foto minha, pode ser que para a proxima semana tenha tempo para inventar qualquer coisa.
Vou chamar-lhe "Itsy Bitsy Spider"


Fotografia de Gilbert Perrin.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

E também de...

...futebol se fala neste blogue.
É verdade que tenho andado arredado dos posts futebolisticos por aqui. Daqueles textos a dissecar as jornadas e as equipas. A verdade é que este ano ando um pouco mais afastado do futebol, e a vontade de ver e escrever sobre este tema é menor.
Sobre a equipa de que faço parte, também não gosto de escrever. Quando entrei, ainda pensei em semanalmente fazer uma cronica do jogo dos juvenis do Odemirense, mas por dentro vivem-se as coisas de outra maneira. E "What happens in Vegas, stays in Vegas".
Mas hoje vamos falar um pouco de futebol. Não tanto do futebol jogado, mas do mercado de transferencias.
Já aqui escrevi sobre a minha opinião sobre o plantel encarnado, e sobre os jogadores que acho que deveriamos contratar. Ja falei também sobre as coisas que acho mal, na politica de transferencias do Glorioso.
Mas nada mudou afinal. Continuam sem chegar jogadores portugueses, continua-se com a ideia de não apostar em jogadores provenientes das camadas jovens. E em gastar os orçamentos em jogadores de qualidade duvidosa.
Estamos em epoca de especulação. Todos os dias nos jornais saiem jogadores para o Benfica. De acordo com os diarios desportivos, só em laterais esquerdos nos ultimos dois dias ja vamos em quatro. Todos estrangeiros, e a maioria desconhecidos. Avançados sul americanos davam para abastecer todos os clubes da primeira e segunda liga. Mas a realidade é outra. As unicas aquisições certas são um tal de Fernandez de quem nunca ouvi falar, e agora Jardel.
Sou sincero quando digo que não conheço nada destes jogadores. E também sou sincero ao dizer que espero sinceramente estar enganado. Mas cheira-me a flop.
Todas estas chegadas de jogadores fazem-me lembrar os tempos em que o Benfica não ganhava nada, e se arrastava pelos relvados numa inconstancia que os ultimos tempos me tinham feito esquecer. E onde chegavam em cada periodo de transferencias autenticos contentores de jogadores.
Fabio Faria já vai a caminho de Espanha para ser emprestado até fim da epoca. Roderick continua sem uma unica hipotese, nem em jogos mais pequenos. Miguel Vitor foi esquecido. Nelson Oliveira e David Simão, nunca voltarão ao Glorioso. E vamos continuar a contribuir para a morte do futebol portugues, com jogadores lusos.
Quando os clubes da nossa liga jogam em jogos europeus, alguns amigos criticam-me por torcer contra os clubes portugueses. A verdade é que por mim podem mesmo perder sempre. Mas o argumento desses amigos é que devemos sempre torcer pelos portugueses. "Portugueses? pergunto eu." Olho para os planteis dos grandes, e tenho de me esforçar para encontrar um portugues.
Sou benfiquista incondicionalmente. Mas o que está mal, está mal. E esta politica de contratações para encher os bolsos a dirigentes, empresarios e fundos de investimento eu não consigo engolir.

Ai não presta...

Já pensei em criar uma nova rubrica de culinaria por aqui. Tal como existe a Fotografia da Semana, criar algo como a receita da semana ou do mes. Talvez o faça.
Hoje deixo-vos a primeira receita do chaparro. Esta não é minha, não é um segredo de familia nem uma especialidade da casa. É apenas uma receita tirada de um site de internet sem sequer pesquisar muito, para saber qual seria a melhor. Esta apenas é a primeira, e por ser a primeira, teria de ser obrigatoriamente este o repasto que vos deixo.
Quando vou jantar com o pessoal amigo, e todos comem os bifinhos e a carninha grelhada (de que também gosto), ou então quando eles começam a sugerir pizzarias em vez de um bom restaurante de comida da nossa, o meu nariz começa logo a torcer. Não por não gostar de pizzas, que gosto, mas não troco a nossa comida tradicional portuguesa por nada deste mundo. Devidamente regadas por um bom vinho, alentejano de preferencia.
Adoro os cozidos, as feijoadas e principalmente os ensopados. O preferido, de enguias. Mas este que vos deixo, o de borrego, já foi tema para varias conversas na mesa do café.

Ensopado de Borrego

Ingredientes para 2 pessoas:

800gr de borrego partido em pedaços pequenos
azeite ou banha
1 cebola
1 raminho de salsa
1 folha de louro
1 colher de chá de colorau
4 grãos de pimenta
3 cravinhos (opcional)
sal
0,5 dl de vinagre
4 batatas
algumas fatias de pão caseiro (ingrediente muito importante)

Preparação:

Coloque o azeite ou a banha num tacho, deixe aquecer e aloure os pedaços de borrego. Reduza o calor e acrescente a cebola e a salsa picadas, o louro, o cravinho, a pimenta, o colorau e tempere de sal. Deixe refogar muito bem juntando um pouco de água se necessário.
Quando estiver bem cozido acrescente a água necessária para fazer o ensopado. Assim que esta levantar fervura acrescente as batatas previamente descascadas e cortadas em quartos.
Adicione o vinagre, tape e deixe cozer e apurar.
Sirva o ensopado sobre o pão caseiro. Se preferir torre ou frite o pão. Eu prefiro frito!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fotografia da Semana

Chega atrasada, mas mais vale tarde que nunca. Aqui fica, de autor desconhecido, a fotografia desta semana.
Vou tentar postar qualquer coisa nos proximos tres dias. Para que exista actividade por aqui que chegue para mais tres dias de curso em Beja.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Il Mago

Uma semana é tempo demais sem posts. Desculpem!
Este post já não é novidade para ninguem, mas não posso deixar de colocar aqui o video do melhor de sempre! Es grande Mou!