sexta-feira, 6 de março de 2009

O envelope

"Ontem, estive muito perto de realizar um dos meus maiores sonhos, quando liguei a televisão e vi imagens de um polícia a levar Pinto da Costa pelo braço. Infelizmente, constatei depois, estava só a ajudá-lo a subir as escadas do tribunal. Não se pode dizer que tenha sido aquilo que idealizei.
Seja como for, até agora o julgamento do "caso do envelope" fica marcado por dois acontecimentos: o facto inédito de ter sido uma testemunha - e não o réu - a ser insultada e agredida por populares à entrada do tribunal, e a justificação dada por Pinto da Costa para a visita de Augusto Duarte a sua casa. Ponhamos as coisas nestes termos: imagine que você é árbitro de futebol (sem ofensa) e tem problemas familiares; a quem é que vai pedir ajuda? A um ancião? A um psicólogo? A um padre? Ou ao dirigente de um dos clubes de futebol cujo jogo você vai apitar no dia seguinte? A resposta certa é, sabemo-lo agora, esta última. E nem sequer é particularmente surpreendente.
Há muito que sabemos que essa é uma prática normal um pouco por esse mundo fora - por exemplo, em certas províncias italianas as pessoas, quando têm problemas familiares, vão falar com o chefe da família. E, por certo, não custará imaginar, em abstrato, problemas familiares que um dirigente desportivo poderia resolver a um árbitro de futebol - "A minha mulher diz que vai morar para casa da irmã se eu este fim-de-semana não a levar numa viagem a Cancún, no valor de 2.500 euros", ou "Preciso de comprar ao meu filho uma mota, no valor de 2.500 euros", ou ainda "Inscrevi a minha filha num colégio particular, mas a propina anual é de 5.000 euros. E, amanhã, no ato da matrícula tenho que pagar 50% desse valor.""

Miguel Góis in Record

1 comentário:

Senator Buscetta disse...

LOL...
Bem conseguido...