segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Chega

Hoje tinha de escrever algo! Chega de ronha! Quase uma semana sem um post não se admite.
Vou então escrever sobre um assunto que me deixa a pensar. Lembrei-me dele ao ler ESTE artigo que fala sobre a geração entre 16-25 anos que descobri no Blog do Pedro Ribeiro.
Sou sincero, não tenho grande admiração por esta geração a que eu costumo chamar geração Hi5. Mas também sou sincero quando digo que não gosto de generalizações, mas estas são inevitaveis.
Se é certo que conheço jovens que encaixam nesta faixa etaria de que gosto bastante e por quem tenho até alguma admiração (alguns deles até frequentam aqui a paroquia), também é certo que se formos generalizar a coisa muda de figura, e estes jovens de que falava passam depressa a ser uma minoria sendo imediatamente estatisticamente apagados.
Se já é dificil encontrar gente da minha idade, com valores, projecto de vida, e principalmente capazes de se envolver e defender causas, se formos procurar isto nas gerações mais recentes começa mesmo a ser uma tarefa Herculia.
Cada vez mais o jovens parecem recusar-se a crescer. E isso já se vê na minha geração, a tal Geração Rasca como foi apelidada. E quando falo em crescer, não de perder o sentido de humor, nem de nos tornarmos cinzentões. Falo sim de assumir responsabilidades, fazer alguma coisa pelo mundo que não seja apenas para proveito proprio, produzir algo de util, algo mais que uma foto do Hi5 (eu sei que este já passou, e que agora é o facebook, mas vou continuar a usar a expressão), ou uma daquelas citações que cada ve mais a malta gosta de usar! E que tal produzirem as vossas proprias frases, em vez de apenas reproduzirem e concordarem com os outros?
Este artigo do Publico de que vos falo, não entra tanto por este caminho da falta de valores da generalidade destas novas gerações (onde a minha já se inclui). Falam sim da dificil entrada dos jovens no mercado de trabalho, apesar da cada vez maior formação dos jovens. Falam dos "mileuristas" que em portugal são mais os "quinhentoseuristas", com trabalho precario e o que isso os obriga. Falam dos Drs de callcenter, que vivem até aos trinta e muitos a custa dos pais, sem capacidade para se tornarem independentes. E basicamente culpa tudo no novo mercado, e na precariedade a que ele obriga. Mas ao olhar para alguns dos tais jovens, que conheço e admiro, e até excluindo a sua formação academica, olhando apenas para o interesse que tem pelo mundo, e comparando ao resto da tal geração Hi5, eu acho que a culpa não é so da dificuldade em arranjar emprego e dos baixos salarios.
Acho mesmo que é uma questão de desinteresse. De falta de objectivos, de coragem, de empreendorismo e de cultura até. Para que ir viver sozinho, e passar por algumas dificuldades, se posso continuar a CHULAR os velhos e viver sem responsabilidades?
Eu sei a resposta. Para crescer!
Ainda este fim de semana, alguem me disse com a intenção de me picar e brincar comigo: "já tas com ar de pai!". Pois esse foi um dos melhores elogios que me fizeram este ano. Ainda bem!

11 comentários:

Juliana disse...

Finalmente um POST!
Tenho de concordar com essa noção da geração Hi5 e do seu total desinteresse por quase tudo e acima de tudo a falta de cultura geral...penso que uma das características desta geração é também a educação, ou melhor, a falta dela.
Já temos falado disto, o respeito pelos mais velhos...
Quer me parecer que tudo está globalizado: as atitudes, as reações, os comportamentos em grupo.
Na passada semana vi um vídeo de uma miúda a levar pancada de outras três frente às "garagens" de Odemira.
No fim de semana num talk show americano, estavam a mostrar também um vídeo que tinha ido parar à net de duas miúdas á pancadaria. Chamaram-lhe o "síndrome da rapariga violenta"!
Inventam mil e uma doenças e desculpas e síndromes para uma coisa que só tem um nome:
FALTA DE EDUCAÇÃO.

Como digo ás vezes "na minha altura levei-as e não me fizeram mal nenhum".

RT disse...

Ui, este post está a pedir comentário a sério! Já cá passo pelo estaminé para dar a minha opinião ;)

Cumps

Rui

Maяtikos disse...

Já somos muitos fartos desta situação podemos ser ainda mais

Adiram http://www.facebook.com/home.php?ref=home#/pages/Jovens-Licenciados-Procuram-Emprego/250695053616

Sam disse...

grande comment jules. concordo contigo a 100%. principalmente com a invençao de desculpas para a falta de educaçao. nada a acrescentar.

Anónimo disse...

Tenho de concordar com tudo o que foi dito, mas não nos podemos esquecer que vivemos numa sociedade onde tudo, ou quase tudo nos é “dado”. Se imaginarmos isso nas nossas vidas, desde de tenra idade, facilmente nos acostumamos ao facilitismo, aos falsos sonhos, onde não é preciso esforçamo-nos para termos tudo aquilo que queremos, e este querer não é a mesma coisa que sonhar/ambicionar.

Já dei por mim a pensar como estes jovens, pais, psicólogos, governantes, e outros tais e se todos funcionam e pensam da mesma maneira, como é que meia dúzia de “iluminados” podem mudar o quer que seja?

Poderei ser mais um que mais cedo ou mais tarde entrará no sistema, como a grande maioria. O que irá restar serão apenas os projectos pessoais, que poderão nunca ser realizados.

Até aqui tudo o que foi conseguido com muito esforço tem sabido muito bem quando é alcançado. É pena que muitos destes jovens do “hi5” nunca venham sentir tamanha satisfação fruto de uma coisa que deu muito trabalho 

RT disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RT disse...

Bom, estava aqui a tentar arranjar maneira de vir defender esta geração, a minha geração, mas está complicado...

Falando em nome da minha geração, no geral, reconheço que temos a maioria dos defeitos que nos apontam. Falta de interesse, de ambição, de educação, de cultura. Estamos super protegidos, habituados a que façam tudo por nós sem ser preciso mexermos uma palha. Penso que isso se deve essencialmente ao ambiente em que crescemos. A maioria dos nossos pais foi de uma geração que ainda cresceu com algumas restrições, antes do 25 de abril, e começaram a sua vida de adulto nos anos 80/90, quando o país floresceu aquando da entrada na antiga CEE. Nestas circunstâncias, dada a maior liberalização da sociedade e dado o maior poder económico, eles quiseram dar aos seus filhos todas as regalias e oportunidades que não tiveram na sua infância. Daí nós termos crescido rodeados de todos os mimos que os nossos pais nos quiseram(conseguiram) dar. E como é óbvio, as pessoas quando são criadas neste ambiente, habituam-se a ter de lutar muito pouco por aquilo que querem já que têm tudo de mão beijada. Penso que, de certa forma, fomos "vítimas" do amor dos nosso pais (que poético xD).

Quanto às excepções que existem (sei que existem :) ) são pessoas que, do meu ponto de vista,
1 - receberam uma educação mais equilibrada dos pais, onde para além dos mimos que receberam, também lhes foram incutidos os valores sociais, morais e éticos já referidos que toda a gente deve ter;
2 - pela sua própria personalidade são pessoas ambiciosas, interessadas, inteligentes e dispostas a lutarem pelos seus objectivos para que no fim venham a sentir a tal "satisfação fruto de uma coisa que deu muito trabalho".

Para finalizar, não creio que seja uma geração perdida, é apenas uma geração cujo processo de sair debaixo das asas dos pais (e isso vai ter de acontecer mais cedo ou mais tarde), de entrada na vida adulta e independente, será muito mais doloroso, porque têm de aprender sozinhos, rapidamente e "sem colchão por baixo" tudo aquilo que não aprenderam quando cresceram.

Cumps

Rui

Sam disse...

rui, desta vez concordo contigo. tambem acho (e pelo que vejo pelos comments, quem comentou tambem o acha) a culpa é sem duvida da educação que tem em casa. Culpa dos defeitos, e tambem das chamadas excepçoes (individuos estes que como dizes tiveram uma educação que os preparou melhor).
mas é normal as geraçoes olharem para quem vem "atras" e apontar defeitos. a minha geração foi vitima do mesmo, e a tua apontará defeitos a quem vem atras.
para acabar, e n concordar contigo a 100%.... o cardozo n vale nada! =)

Miss Kin disse...

Concordo contigo numa série de coisas, mas são realmente generalizações, porque conheço muito boa gente, que gostaria de poder ter a sua independência e não há maneira das coisas acontecerem (grupo em que me incluo). Mas concordo em absoluto quando falas na falta de interesse de muitos jovens de fazerem alguma coisa de construtivo, mesmo pelas próprias vidas, quanto mais pelo país ou pelo próximo...

Sam disse...

Pois eu acho que nos temos sempre dificuldade em admitir os nossos defeitos. Eu também sai de casa tarde, aos 27 ou 28 anos. E tenho a perfeita noçao que foi devido ao conformismo. Esta-se bem na casa dos pais, e não se tem vontade de arriscar, ou fazer alguns sacrificios para conseguir dar o passo seguinte. Hoje penso que deveria ter saido uns anos antes. Na altura eu também dizia que era devido a não ter condiçoes para sair...

gambozino disse...

Acho que este post é essencialmente tendencioso e que se foca apenas num aspecto desta dita "geração hi5". Se é uma geração que está habituada a ter tudo à distância de um clique, que se calhar nunca abriu um dicionário ou uma enciclopédia, ou que já não precisa de correr o perigo de ligar para casa do/a namorado/a e ter que pedir ao pai para lhe passar o telefone (isto era muito lixado), não quer dizer que seja uma geração desinteressada e incapacitada de agir... pelo menos não será mais que as predecessoras gerações.

Eu tenho uma irmã que vai ter de trabalhar desde bem cedo para conseguir pagar propinas e ser uma jovem licenciada/mestre, vai estudar pelo menos até aos 23 anos, trabalhando ao mesmo tempo. Naturalmente ficará em casa dos pais, pois o emprego estilo call-center não dá grande salário, naturalmente estará ainda algum tempo a procurar trabalho na sua área, se tiver sorte de encontrar, e por muitos projectos que tenha (e tem), será muito difícil perpétuá-los, tendo em conta o estado lastimável que as gerações anteriores e o seu "know-how" estratégico deixaram o nosso país!

E já não falo do futuro da segurança social em Portugal: sistema nacional de saúde, pensões de reforma, bolsas de estudo, participações do estado na educação, etc...

Se isto está feio a culpa é de quem estragou, não de quem tem que aprender a viver no estragado.